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Como se libertar do seu smartphone


Acha que o aparelho está sugando sua energia (e não estamos falando de eletricidade)?
Nossa repórter conta como conseguiu deixar o celular de lado e viver de forma mais "presente"
 POR ANA FREITAS


Eu me libertei do domínio do meu celular.
Veja, eu não quero dizer que eu não tenho um smartphone. Continuo tendo um e é ele que eu carrego na bolsa. Uso meu celular para responder e-mails, ler notícias, acessar o Facebook, tirar fotos, ver vídeos e inclusive, surpreendentemente, para fazer ligações e trocar mensagens instantâneas. É um uso bastante comum de um smartphone, eu creio, e imagino que você use o seu pras mesmas coisas.

A diferença entre eu e boa parte das pessoas, no entanto, é que eu uso o smartphone quando eu quero, no meu tempo, e não no tempo de todas os estímulos possíveis de todas as redes sociais que faço parte. A receita pra isso é simples, e se você estiver muito viciado na sua vida ao lado de um celular, talvez te deixe ansioso no começo. Mas ainda que você seja um usuário intermediário, acho que dá pra se beneficiar desse passo-a-passo.
Desligue todas as notificações

Todas mesmo. Eu desliguei as minhas notificações, vivo assim há dois anos e, honestamente, é muito refrescante estar no mundo real na maior parte do tempo. Não tenho o hábito de usar o celular enquanto estou na companhia de outros. E não ser lembrado por barulhinhos e vibrações de que existem outras coisas ‘acontecendo’ em outros contextos, virtuais ou não, me ajuda a permanecer inteira onde estou. O telefone só apita quando eu recebo uma ligação ou uma mensagem de texto tradicional - desliguei mesmo as notificações de Whatsapp e do Messenger do Facebook.


Apague apps de redes sociais que 'engolem' sua vida

O segundo passo para me libertar do domínio do smartphone foi apagar dele o aplicativo do Facebook. No celular e mesmo no computador, o Facebook se torna um vício tipo abrir a geladeira vazia quando você tá com fome. Você sabe que nada novo vai surgir ali, mas é incapaz de se concentrar em qualquer outra atividade porque a cada 5 minutos sente a necessidade de olhar de novo. Reparei que o Facebook era um refúgio um tanto quanto melancólico, inútil e que só gerava mais ansiedade, especialmente quando eu estava sozinha, entediada, ansiosa ou estressada e buscava uma fuga. Depois que apaguei o app, comecei a viver mais os momentos de tédio e de fazer nada, ouvir os sons da rua, olhar para as pessoas. Usar o celular nesses momentos pra atividades que não me engulam - como ler uma matéria legal, assistir a um vídeo ou algo assim - ainda é permitido. Mas as atividades precisam ter um propósito, um início, meio e fim. Ah: também não deixo de conferir o Facebook no navegador de vez em quando, mas só pra ver alguma atualização ou notificação importante. Nada de deixar a timeline me sugar.

Vale pra qualquer app que tem esse efeito em você: Instagram, Pinterest, Twitter. Eu parei de usar o Facebook no celular porque aquela falta de propósito me incomodava, mas eu não apagaria o Twitter, por exemplo, por que com ele tenho um senso maior de estar de fato consumindo informação útil, ou o Instagram, que não me faz rolar a timeline compulsivamente. Se não te parece inútil ou perda de tempo, se não te incomoda, esse guia não é pra você.

Na verdade, minha única regra é ir ao celular quando eu tiver vontade, não quando ele me chamar e evitar distrações estímulos que me levem pra outro lugar ou tempo que não seja o ali e o agora.
Apague os apps inúteis

Quanto lixo você tem no seu celular? De todos os aplicativos que você já baixou, quantos você realmente usa? Limpe o que está sobrando, evite distrações e tentações desnecessárias e, ainda por cima, você vai liberar espaço no seu telefone pra coisas tipo fotos e música.
Terapia de choque

Abordagens mais extremas sugerem não usar o celular enquanto estiver no banheiro e no seu quarto, evitar o uso da internet pra compensar sua falta de memória ou acabar com conversas divertidas e saudáveis em contextos sociais - tipo quando você faz uma busca na mesa de bar pra descobrir na Wikipedia quem está certo sobre a altura do Everest, por exemplo.

Daí vai da necessidade. Mas eu acho que se você acha necessário impôr regras tão extremas pro uso do seu smartphone, talvez seja o caso de aposentar o aparelho e voltar pros telefones simples. Quer dizer, a ideia é ter o melhor dos dois mundos - concentração, baixo nível de ansiedade, tempo livre e senso de propósito e de utilidade, mas também tecnologia na ponta dos dedos quando ela é capaz de melhorar sua vida ou torná-la mais divertida. No fim, a ideia acaba sendo “use com moderação”.
Mas… por quê?

Você vai voltar a reparar em coisas que talvez não via há tempos, tipo a arquitetura de um prédio pelo qual passa todos os dias (mas antes, fazia olhando pro celular enquanto digitava), os barulhos da rua (que às vezes são horríveis, verdade, mas estão ali e precisam ser notados), os rostos das pessoas. Você vai, certamente, ter momentos sociais mais memoráveis com seus amigos e vai olhar nos olhos deles enquanto eles falam.

O comediante Louie C.K. fala de como perdemos a capacidade de fazer nada e estar bem com isso depois dos celulares nesse vídeo:
Você precisa cultivar a habilidade de ser só você mesmo e não estar fazendo alguma coisa. É isso que os telefones estão marando, a habilidade de só ficar sentado fazendo nada. Isso é ser uma pessoa. Porque por baixo de tudo na sua vida, tem aquela coisa - aquele vazio eterno. Aquela desconfiança de que nada vale a pena e você está sozinho. E às vezes quando as coisas ficam calmas, você não tá esperto, tá no carro, e aí você começa a perceber 'Ahhh não, lá vem. A solidão'. Essa coisa chega, essa tristeza. A vida é triste demais, só estar nela... e é por isso que a gente dirige enquanto manda mensagem de texto. Praticamente 100% das pessoas hoje usam o celular enquanto dirigem, as pessoas estão se matando com seus carros, mas elas assumem o risco de tirar uma vida e arriscar a própria vida porque não querem ficar sozinhas por nem um segundo, porque é difícil demais. [...]
É que, porque a gente não quer aquela pequena tristeza, a gente a empurra pra baixo do tapete com um celular, ou comida, ou masturbação. A gente não se permite mais sentir-se extremamente triste, ou extremamente feliz, você meio que só se sente satisfeito com seu produto, e morre."

O cara é um comediante e tem muito de exagero cômico nesse texto, mas a mensagem é válida: a gente precisa reaprender a ficar sozinho com nós mesmos, ou com os outros. Não é fácil, mas é ainda mais difícil com um aparelho apitando e te lembrando de todas as outras coisas acontecendo em todos os outros lugares.

Além disso, criar essa nova relação menos obsessiva com seu celular vai causa menos FOMO - aquela ansiedade em receber notificações sobre coisas que estão acontecendo em outros lugares, físicos ou virtuais, e sua incapacidade de estar em todos.

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