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A CARTA DA TERRA



                   
Profa. Edmeire C. Pereira

Gostaria de refletir hoje, com nossos leitores, sobre um documento histórico norte-americano, conhecido como  “Carta da Terra”, que foi uma resposta de um índio chefe cacique pele vermelha de Seattle aquele governo, referente à compra de suas terras indígenas.
Como vamos fazer essa reflexão? Selecionando alguns excertos de texto, daquele documento primário.
As citações para as nossas reflexões são as seguintes:
O homem não tramou o tecido da vida. Ele é simplesmente um de seus fios”.
“A Terra não pertence ao homem. O homem pertence à Terra”.
“O que é o homem sem os animais? Se todos os animais se fossem, o homem morreria de uma grande solidão de espírito”.
“O homem branco poderá um dia descobrir o nosso Deus e verá que é o mesmo Deus do homem índio e sua compaixão é igual para os dois”.
“A Terra é nossa mãe. Os vegetais: as flores que exalam perfumes, nossas irmãs; todos os seres vivos: os animais, eis nossos irmãos. Desrespeitá-los é desrespeitar o seu criador”.
“A visão de vossas grandes cidades é dolorosa para os olhos do homem vermelho. Parece que o homem branco não presta atenção ao ar que respira, como um homem em agonia”.
“O homem branco deve ensinar a seus filhos que o solo a seus pés foi enriquecido com as cinzas dos seus antepassados para que respeitem a Terra”.
“Os brancos também passarão. Talvez, mais cedo que as últimas tribos contaminai vossas camas e uma noite serei sufocados pelos vossos próprios dejetos”.
 “Mas, quando de vossa desaparição, o Deus que vos trouxe a esta Terra e por alguma razão especial vos deu o domínio sobre a Terra e sobre o homem vermelho, tal destino é um mistério para nós”.
Com essas citações tão impactantes em nossas mentes, ficamos nos perguntando o que estamos fazendo com a mãe Natureza. Tão vilipendiada nos últimos tempos... e, não só, à época da dizimação dos índios peles vermelhas dos EUA, bem como os nossos índios da Amazônia e de outras regiões brasileiras, também...
O texto do cacique se refere em muito à educação ambiental do planeta, ou seja, de uma educação para a sustentabilidade global, sem o quê, correremos o sério risco da “desaparição” da nossa espécie.
Segundo GADOTTI (2008, p.9-17), quando da Rio-92, nos diz que foi aprovado pelos países membros um documento denominado Agenda 21. Num evento paralelo, no Fórum Global , foram aprovados mais dois documentos complementares, denominados: a Carta da Terra e o Tratado da Educação Ambiental para as Sociedades Sustentáveis e a Responsabilidade Global
Ao fazerem isso, estavam se preocupando com o quê a Educação formal e informal poderia fazer nesse sentido. Como a ONU, em 2002, declarou que, de 2005 a 2014, estaríamos vivendo a Década da Educação para o Desenvolvimento Sustentável, logo esses documentos são fundamentais para a construção de uma nova “Pedagogia da Terra”.
A Carta da Terra, segundo Mikhail Gorbachev, apud GADOTTI (2008, p.10), seria o terceiro pilar do desenvolvimento sustentável, atrás somente da Carta de Fundação das Nações Unidas e da Declaração dos Direitos Humanos.
Para GADOTTI (2008, p.11), a Carta da Terra “tem um grande potencial educativo ainda não suficientemente explorado, tanto na educação formal, quanto na educação não-formal”. Também pensa, assim, Leonardo Boff, um dos fundadores da Teologia da Libertação e membro da Comissão da Carta da Terra: “ela representa uma importante contribuição para uma visão holística e integrada dos problemas socioambientais da humanidade” (p.12).
Para o Instituto Paulo Freire (IPF) – www.paulofreire.org , eles consideram a Carta da Terra como “um convite da Terra, uma mensagem, um guia para a vida sustentável e um chamado para a ação”.  De acordo com esse pensamento e essa visão ética, eles incluem a Carta da Terra como “tema gerador transversal” de todos os seus projetos de atuação, tais como educação de adultos, alfabetização, educação cidadã, currículo, educação popular etc. como uma temática “intertransdisciplinar” (GADOTTI, 2008, p.13).
Para isso, criaram a visão de uma “ecopedagogia” (inicialmente chamada de “pedagogia do desenvolvimento sustentável”), como pedagogia apropriada à Carta da Terra, à educação ambiental e à educação para o desenvolvimento sustentável (EDS). Desse esforço, GADOTTI (2008, p.13-14), apresentou em parceria com Angela Antunes, diretora pedagógica do IPF, um texto que foi publicado no livro organizado por Peter Blaze Corcoran, A Carta da Terra em Ação (2005).  
Dentro dessa perspectiva, a ecopedagogia tem tudo a ver com a educação para a sustentabilidade, pois a Terra é considerada pelo IPF também como um oprimido, o maior de todos.
Enfim, para os seguidores de Paulo Freire – Gadotti, por exemplo, um de seus discípulos, não podemos ficar polarizando os conceitos de sustentabilidade e desenvolvimento sustentável, pois são ambíguos; ou mesmo, entre os conceitos de educação ambiental e educação para o desenvolvimento sustentável (GADOTTI, 2008, p.16).
Conforme GADOTTI (2008, p.76), durante uma pescaria com seu pai, em 2007, ele recebeu o seguinte ensinamento desse Sr. de 93 anos: “filho, você só deve possuir a terra que seus braços podem cultivar”.
Vou ler esta frase hoje para o meu sempre amado filho Guilherme e conversar com ele. E você, que tal, fazer o mesmo?  

  
Referências
CARTA da terra. (sem fonte)
GADOTTI, M. Apresentação.  In: ________. Educar para a sustentabilidade: uma contribuição à década da educação para o desenvolvimento sustentável.  São Paulo: Editora e Livraria Instituto Paulo Freire, 2008.  127 p. ; p.9-17 (Série Unifreire, 2).
INSTITUTO PAULO FREIRE.  Disponível em: www.paulofreire.org


Departamento de Ciência e Gestão da Informação da Universidade Federal do Paraná
Curitiba-PR/Brasil
e-mail: edmeire@ufpr.br

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